Marilyn Manson – histórias que levar ou não pro túmulo não faz a menor diferença

Já me disseram que tenho uma facilidade pra sumir, digamos, encantadora. Adoro ironia. Mas vamos lá, João Gilberto era encantador. Um velhinho de pijama exilado num apartamento tocando violão doze horas por dia. Dando a mínima pro singelo detalhe de ser a principal mente dum movimento que influenciou crianças como Chico e Gil, do qual … Continue lendo Marilyn Manson – histórias que levar ou não pro túmulo não faz a menor diferença

Beber até morrer, essa é a solução

Vou falar um negócio que pode me render olhares tão ou mais horrorizados, não, horrorizado é muito forte, horrorizado a gente fica quando tocam fogo em mendigo, talvez perplexo, um negócio que pode me render olhares um tanto perplexos. Melhorou. Por outro lado, como dizia Boechat, vivemos num país com duzentos milhões de palhaços, ninguém … Continue lendo Beber até morrer, essa é a solução

Tutorial pra matar a avó e dormir semitranquilo

Quando você sente um certo amor, e falo no amor como doença, pelas palavras, começar um texto é, na melhor das hipóteses, impossível. Você pode ter a melhor ideia duma vida, um estalo divino, pouco importa, sem um começo decente, que pegue o leitor pela mão, suavemente, como uma mãe, e o envolva de boca … Continue lendo Tutorial pra matar a avó e dormir semitranquilo

Não votem, se matem

Dia desses vim contar dum campinho onde vez ou outra penso na vida. Pense numa noite bonita. Me sentei como um príncipe. Pernas cruzadas, isqueiro na mão, fone na orelha. Fogo. No primeiro trago brota, essa é a palavra, brota uma viatura feliz e contente contornando o campo. Não deu tempo nem de assustar, esconder … Continue lendo Não votem, se matem

As bocas falam

Numa cidadezinha pertinho de algum lugar, elegeram um prefeito que entre outras qualidades, todas comuns aos nossos representantes, homem honesto, de bem, temente a Deus, já estivera também envolvido em algumas denúncias, pequenos equívocos, como gostam de dizer, réu em todos, tais como corrupção passiva e ativa, envolvimento com organização criminosa, direcionamento de licitações e … Continue lendo As bocas falam

Histórias corriqueiras que a gente conta mas que no fundo são uma só

Nunca tive avô. De ambos os lados, pai e mãe, nenhum me conheceu. Não deu tempo. Meu irmão sim, teve avô até os cinco anos, mas quando nasci ele tinha seis. Do lado materno, o velho morreu tragicamente, amassado por um trator desgovernado enquanto fechava o portão da chácara em que trabalhava como vigia. Mamãe … Continue lendo Histórias corriqueiras que a gente conta mas que no fundo são uma só

Jovem é preso com cinquenta gramas de petismo no bolso

Caminho todos os dias pelos mesmos lugares, no melhor estilo pretinho básico: acordar-ponto-de-ônibus-ônibus-terminal-ônibus-trabalho-ponto-de-ônibus-ônibus-terminal-ônibus-finalmente-casa, sempre as mesmas calçadas, as mesmas pessoas, nos ônibus mudam alguns dos rostos mas os papos continuam os mesmos de ônibus, sobre a vizinha que fez sei lá o quê, uma outra no trabalho que acorda cedo só pra infernizar, o sem-vergonha … Continue lendo Jovem é preso com cinquenta gramas de petismo no bolso

Meu tio trotskista e [a galinha d]o partido

Meu tio foi o primeiro comunista da minha vida. Ou quase. Sendo o mais velho dos dois irmãos, se viu adulto antes mesmo das bicicletas e do spider-man. O pai morreu bem cedo, em diversos sentidos: jovem, quase de manhãzinha e com dois filhos miúdos. Morreu como quis: bêbado, na madrugada e depois da putaria. … Continue lendo Meu tio trotskista e [a galinha d]o partido

Amizades, devaneios e ponto-final

Naqueles tempos a gente tinha o Baiano, um baixinho que gostava de todo mundo mas não queria trabalhar pra ninguém, aprendera com a vida de um tudo, desde consertar bicicletas até improvisar uma cirurgia. A amostra perfeita do brasileiro de Gilberto Freyre. Teve uma porrada de filhos mais inteligentes que ele e passou a vida … Continue lendo Amizades, devaneios e ponto-final