Esqueci de acrescentar que ela usa óculos

Não lembro exatamente como surgiu, já nem estávamos juntos, vivíamos naquele momento a fase que se vive entre o terminar e o desvincular as rotinas de fato. Não sei explicar. Quebrar o primeiro bom dia, as reclamações, dúvidas e boas notícias, o ombro de tantos anos de confiança pode demorar certo tempo, então acabamos por … Continue lendo Esqueci de acrescentar que ela usa óculos

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Não votem, se matem

Dia desses vim contar dum campinho onde vez ou outra penso na vida. Pense numa noite bonita. Me sentei como um príncipe. Pernas cruzadas, isqueiro na mão, fone na orelha. Fogo. No primeiro trago brota, essa é a palavra, brota uma viatura feliz e contente contornando o campo. Não deu tempo nem de assustar, esconder … Continue lendo Não votem, se matem

Pequeno tratado das doenças que queremos ter

Estou aqui num campinho perto de casa. Isso mesmo, estou. Não estava nem estarei. Estou. O campo fica grudado numa creche, e recentemente construíram uma pequena arquibancada, uns poucos degraus de cimento. E aqui estamos nós. Um tantinho ali pra esquerda ergueram também um pequeno quartinho. Não tem reboco ainda. Talvez seja um projeto de … Continue lendo Pequeno tratado das doenças que queremos ter

Breve como o tempo

Se Deus não dorme abraçado com Tom Jobim. Por favor, me dê só uma noite, Santo Pai. Uma noite. Num bar. Qualquer bar. Preciso dum trago só. Dois, se não for abuso, e olhá-lo de longe. Me bote ali, num banquinho ao lado do banheiro, perto daquele negócio onde os cavalheiros escarravam. E me traga … Continue lendo Breve como o tempo

Táubua de tiro ao Álvaro

noutro dia mandei uns versos e outras prosas ao poeta Álvaro Alves de Faria, aquele mesmo que vive só e conversa com passarinhos: um dos últimos poetas sobre meus originais disse ter lido todos, poemas crônicas um e outro conto perdido, e aquilo me deu uma raiva danada muitíssimo educado o poeta, disse ter gostado … Continue lendo Táubua de tiro ao Álvaro

O céu sem poesia é só ciência. O homem também.

Outro dia levei a Lua pra passear, Lua minha salsichinha, como de costume fazemos. Atravessamos um quarteirão e sentamos na mesma praça de sempre, nada anormal. A praça que não é mais praça, agora é um monte de mato com uns tantos bancos também se afundando no mato, ao lado do que um dia foi … Continue lendo O céu sem poesia é só ciência. O homem também.