Táubua de tiro ao Álvaro

noutro dia mandei uns versos e outras prosas ao poeta Álvaro Alves de Faria, aquele mesmo que vive só e conversa com passarinhos: um dos últimos poetas sobre meus originais disse ter lido todos, poemas crônicas um e outro conto perdido, e aquilo me deu uma raiva danada muitíssimo educado o poeta, disse ter gostado … Continue lendo Táubua de tiro ao Álvaro

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Sai todo mundo daqui

Sei que está cansativo sempre o mesmo papo sobre amigos e lembranças mais do mesmo. Foi um raio na minha cabeça. Nunca acreditei (ninguém põe muita fé) no papo dos avós, naquilo de que os amigos passam namoradas passam dores felicidades colágeno tudo vai passando até passar. Mas você cresce, se acabam as aulas, uns … Continue lendo Sai todo mundo daqui

Ivan o Corcundão a solidão que eu fumei e um abraço pra São Sebastião

Não há nada pior que as lembranças dos amigos. A gente vai lembrando vai rindo e quando vê está triste feito um burro, e que burrico triste. Há quem chame essas coisas de nostalgia, quiçá saudade, eu prefiro puta-que-pariu-de-novo-não. Você ali, tranquilo, Luiz Melodia no rádio baseado entre os dedos. Baleiro, Macalé, Lenine, Ben, Donato, … Continue lendo Ivan o Corcundão a solidão que eu fumei e um abraço pra São Sebastião

Bom é leilão de boi

Enfiem bem fundo seus Kindles, ebooks e o diabo a quatro. Mas pra lá do pré-sal de cada cu, de cada filho-da-[com o perdão da palavra]puta que vira página com o dedinho na tela, que tem mil e um livros em sua cama. No cu mil vezes. Ah, Jesus, como queria eu mandar cada um, … Continue lendo Bom é leilão de boi

Meu tio trotskista e [a galinha d]o partido

Meu tio foi o primeiro comunista da minha vida. Ou quase. Sendo o mais velho dos dois irmãos, se viu adulto antes mesmo das bicicletas e do spider-man. O pai morreu bem cedo, em diversos sentidos: jovem, quase de manhãzinha e com dois filhos miúdos. Morreu como quis: bêbado, na madrugada e depois da putaria. … Continue lendo Meu tio trotskista e [a galinha d]o partido

De repente você desperta. Abre a janela. A primeira brisa da manhã bate como um sorriso. Respira fundo. Silêncio. Um carro passa. Ao fundo um galo atrasado anuncia o novo dia. As necessidades chamam e como é bom estar funcionando, quanta bênção mora numa cagada. Bem-te-vis e maritacas e todo tipo de pássaros voam por … Continue lendo

Uma biografia de Jesus

A primeira mulher que comi tinha quinze anos. Eu tinha quinze anos, não ela. Ela era uma pretona quase-velha que hoje já deve estar morta. Foi num cabaré que ficava de frente da igrejinha pra onde vovó me arrastava alguns domingos. Numa casinha toda ajeitadinha, de portão baixinho roxo e até uma placa de cuidado … Continue lendo Uma biografia de Jesus