O homem-da-rua escolheu Bolsonaro. O homem que anda na rua. Que move a economia, sai todo dia de manhã e só volta de noitinha. Que sente na planta-dos-pés as calçadas todas destruídas; as famosas praças onde tantos amores nasceram se reduzindo a mato; os corredores dos hospitais transbordando gente doente, gente com coração ainda. Que entra no ônibus como se houvesse uma criança socando os brinquedos no baú. Que vê políticos indo em cana diariamente e ao invés do perdão sincero ou mesmo vomitado, o que vê se parece mais com “o que precisamos fazer que não fizemos para que não nos peguem outra vez”. O homem pra quem esquerda e direita não significam absolutamente nada politicamente escolheu. Não apenas aprendeu a olhar ao redor como encontrou a oposição que nunca existiu. Pra muitos, aliás, fora a primeira eleição na vida com candidatos realmente diferentes. Fez uso da democracia foi lá e mudou todo mundo. Quando é que a esquerda vai assumir sua responsabilidade na eleição de Bolsonaro? Todas as matérias manipuladas, tiradas de contexto, o enfadonho CQC lá atrás, por exemplo, modificando suas respostas descaradamente; falas onde se falava duma guerra onde existiam lá as guerrilhas que também matavam, roubavam explodiam coisas gente e tudo mais, embaixadores foram sequestrados, e digo isso sem deixar um segundo de idolatrar Marighella, que morreu abraçado às suas convicções, se dizendo ele próprio terrorista, num contexto onde não havia outra saída que não o terrorismo. Tudo o que se vê é perspectiva. Enquanto isso o próprio Bolsa desmentia tais perseguições absurdas com atitudes talvez mais esdrúxulas que as acusações: simplesmente publicando o vídeo completo, veja só. Agora um presidiário querendo ser presidente indicando presidente, dando as cartas no maior partido da Câmara, com uma militância que na melhor das hipóteses vive num mundo bastante próprio, convenhamos, se as primeiras denúncias e notícias do presidiário presidente chegaram a abalar Bolsonaro, com o tempo ele as esperava ansioso, junto dos tantos gritos de homofóbico estuprador e seja lá o que for e a porrada de eleitores que aos potes foi sucumbindo à realidade. Aquela realidade que dói, tira emprego dia-a-dia, que colocou o litro da gasolina na puta que pariu, e que tenta fazer do eleitor um tonto. E está doendo, não vamos correr da dor. Mas chamar o povo de imbecil na cara-dura aí não, deixar no ar que os animais, além de ignorantes, burros truculentos e preconceituosos, se deixam influenciar por mensagens de rede social é falta de respeito. Falta inteligência é a quem pensa assim. A democracia escolheu. O homem-da-rua, que é a democracia. Imbecis são os que tratam isso como qualquer coisa parecida com um fim. Isso é só o começo. A dor da democracia é o que a faz cada dia mais viva. Só nos resta olhar ao redor, e aceitar que não haverá governo de esquerda neste país enquanto a esquerda não esquecer Didi e os trapalhões.

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Um comentário em “Didi e os trapalhões

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