Meninos, eu (não) vi 

Meninos, eu vi. Ninguém me contou, eu vi. Real como o azul do céu ou o colorido da primavera. De carne e osso como você e Jesus Cristo. Um político honesto. Pasmem! Um político verdadeiramente honesto. Mas honesto de verdade, não até certo ponto. Um que não confunde a constituição com a bíblia nem quer armar todo mundo e prender crianças. Se preocupa mais com evitar o estupro que com a punição após o ato consumado. Que vê nas crianças uma forma de esvaziar os presídios e não o contrário. Meninos, sentem-se pois o melhor ainda está por vir. Eu vi um político que não quer que você trabalhe até os 45 do segundo tempo. Que prioriza a vontade da mulher de fazer com seu corpo o que tem como melhor para si. Um político! Isso mesmo, político. Um homem comum que prefere uma pessoa a menos na pobreza por dia que um milhão de fãs de uma só vez. Mais que político, um ser humano. Um que leva a sério a questão da equidade de gêneros e raças com propostas que não deixam aberturas para preconceituosos continuarem a espalhar seu ódio pelo país. Que não procura droga na natureza e quer ver seus filhos e os filhos de todo mundo frequentando os mesmos hospitais e escolas. Impossível, vocês dizem. Verdade, afirmo. Ele não faz parte dessas bancadas do tiro, evangélica e afins. Respeita todas as religiões e não se aproveita de nenhuma para enriquecer. Nem aluga prédios inteiros com dinheiro público. Mora onde seu suor o permitiu morar e ali pretende continuar até que seu suor o leve a algo melhor. Ele não apoia que privatizem o Brasil para privilegiar ainda mais os já privilegiados mas também não quer que estatizem o que já começou privado. Vê na cultura e educação o melhor para o povo. Quer exames psicológicos mais rígidos para se tornar policial por questões um tanto óbvias: Provar que alguns deles possuem cérebro, ou algo dentro dele. E ainda jura que não vai trabalhar apenas para aparecer na TV. Infelizmente não foi eleito. Não foi eleito por ser tão honesto ou é honesto por não ter sido ainda eleito, vocês perguntam. Será que todos os atuais ladrões da pátria um dia conheceram alguém como eu que como eu pasmou ao ver tanta vontade de melhorar o Brasil e saiu por aí contando a todos que finalmente conheceu um político verdadeiramente honesto? Vejam, meninos, eu vi o que seus pais e avós podem ter visto nos homens que vocês vêem sendo presos hoje. Eu vi, mas acreditar é que é difícil. Meninos, eu vi, mas prometo não contar a mais ninguém até que seus discursos se concretizem. Então, para evitar problemas futuros, eu não vi nada. 

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6 comentários em “Meninos, eu (não) vi 

  1. Só hoje pude ler o artigo. Eu tenho pena dos que estão nascendo agora! Nos meus 72 anos, já vivi o que tinha que viver , mas vivi num mundo mais consistente. Que saudades dos políticos honestos do meu tempo!
    Entretanto, vocês jovens podem transformar este mundo num paraíso! Diz o frei Carlos Mesters que o paraíso terrestre narrado no Gênesis não é algo passado, mas um projeto para o futuro terrestre. Ele diz q

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  2. que não é uma coisa acontecida, mas algo que PODEMOS CONSTRUIR. E eu concordo. O mundo ainda tem conserto. Os políticos também! Um abraço a vocês todos. Teófilo Aparecido.

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