Verídico ou não, eu chorei

Talvez não
se lembre,
eu mesmo
não me lembro
bem,
foi há tempo
suficiente para
lembrar ou
esquecer
ou quem sabe
as novas lembranças
tomaram conta
das antigas,
mas entre poréns e
minha memória falha,
a história que te
conto não é para
lembrar-te de mim
e o que passamos nem
muito menos
fazer-te chorar por
ter chorado,
a vingança que
corre em mim
transborda-se em amor
quando escrevo,
a arte tem
dessas
peculiaridades,
entretanto, se
disser que primavera
me foi viver o
que hoje confesso,
enganando estaria
tanto a ti
como a mim
mesmo,
poderia dizer que
chorei, mas
não passaria de
obviedade pois as
lágrimas são
o fim
de todo conto,
e recordo-te
aqui para não
dizer que
foi falta de aviso,
memórias são
como extrato de
banco,
o tempo as
vai levando
pouco a pouco
sem aviso e
se por algum
acaso caminhando
entre o passado
der por
tropeçar em
algumas,
jamais serão as mesmas
e partilhá-las dará
mais trabalho que
vivê-las,
mas apesar de
esquecermos
muito do
que nos é dito
e até mesmo vivido,
nada tira
de nós nossas
lágrimas,
desta vida só
levamos o que
choramos,
se bem ou mal
pouco importa,
a vida é assim
e assim continuará
quando enjoar
de nos viver,
penso eu que
ter chorado é o
único motivo de
aqui dentro ainda
restar
vaga lembrança
disto que ninguém
em meu lugar
lembraria.

E um tanto
relutante,
naquele fim de tarde
com um sol
ainda escaldante,
finalmente
chorei,
enquanto caminhava
em plena rodovia
atravessando
esta mesma
cidade que ainda vivemos
com o coração
sorrindo fantástico
por encontrar-te em
alguns instantes
e magicamente
tê-la
abraçada ao
meu corpo
falando baixinho
sobre tua vida,
finalmente
chorei,
lembro também
onde sentei
para chorar
após me dizer
coisas que
não convém
expor mas que
doeram
mais que arrancar-me
o coração com tudo
dentro,
e a tristeza
não se deu
apenas por duras
palavras esmurradas,
também pela
felicidade que me
encontrava quando
pensava em nós,
mesmo nada
tendo a oferecer
e nem dinheiro
para a condução,
andava toda cidade
e andaria oito
outras se
o destino
final fosse teu sorriso,
então você deu
de virar numa
rua que não
pude seguir
justamente
para me despistar,
te observei de
longe mas
nunca fui capaz de agir
por desejar
a ti
algo melhor
que o espelho me dizia
com tapas na cara,
mas continuo firme
e um centímetro
maior, caso
às vezes pense
em mim,
não hei de
ser hipócrita,
devo ao
menos agradecer-te
o tempo perto
e mais ainda por
ter-se ido,
sem isso não
encontraría o coração
que hoje
se aconchega
ao meu não importa
onde,
as lágrimas já
não são
sofridas em frente
uma loja maçônica,
mas partilhadas
dentro de um
amor lúcido e
corajoso,
demorei a entender
que a vida
nos manda pessoas
fortes e
maravilhosas, não
para proteger-nos de
tudo e todos a
todo momento,
mas para fazer-nos
fortes e vivos
também e principalmente
com sua partida,

em
paz,
este é o fim
de nosso provável
último contato,
não se esqueça
jamais destas
últimas palavras:
De forma alguma penso em ti que não de coração.

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10 comentários em “Verídico ou não, eu chorei

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