Bazar da Lua – Capítulo I (Porém, não prometemos um capítulo II)

A rua era curtinha, estreita, mas abria caminho pruma outra ruazinha que se você seguisse nela e depois imbicasse pra esquerda, daria numa avenida que te levaria reto pro centro da cidade. Cidade de Marília. Cidade estranha. Compacta talvez seja a palavra. Povo tranquilo. É quase um vilarejo que cresceu rápido demais e quando se … Continue lendo Bazar da Lua – Capítulo I (Porém, não prometemos um capítulo II)

Na minha pele

Não digo que foi fácil me esgueirar pela porta. Também não foi muito difícil. Essas portas de correr você só enfia uma pata e ela já te abre um espacinho. Difícil estava permanecer dentro.  Deixa eu te contar uma coisa. As coisas andam mudando muito rápido por aqui. Até outro dia a gente morava numa … Continue lendo Na minha pele

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu

Era como um ritual. Cada espirro uma explosão. ATCHIIIIIIIEEEM. Da cozinha, depois dum pulo de dois metros, vinha a voz da mulher, num berro: ISSO, MOSTRA PRA CIDADE INTEIRA O QUE VOCÊ FAZ DE MELHOR. Ele ria. Tirando vez ou outra um prato quebrado uma panela derrubada, ela sabia que tentar matá-lo só o faria … Continue lendo Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu

Fora da verdade, longe do perdão

Bom dia, disse o homem. Silêncio. Oi, bom dia, eu queria, oi, escuta, eu queria uma... brecou as palavras ao perceber a moça do Caixa paralizada, olhar fixo nas nuvens, ao redor uma penca de caixas espalhadas no meio do corredor, atrapalhando a passagem. Embalagens estouradas, chão imundo. Julia sequer notou sua presença. Havia dito … Continue lendo Fora da verdade, longe do perdão

Um tipo de amor que é de comer e cuspir no prato

Céu azul. O primeiro sol da manhã batendo no rosto. Fone no ouvindo. (Prince gritando dentro dele). Cadeirinha de área. Baseado entre os dedos. Vento soprando, fumaça subindo e eu rindo sozinho pensando em Jorge. Que também é Messias, igual a Jesus Cristo. Pois bem. Vou contar a história de Jorge Messias. A prova viva … Continue lendo Um tipo de amor que é de comer e cuspir no prato

Prometo falar sério mas em forma de piada e sem ligar pra muita coisa

Eu só quero morrer. Talvez essa não seja a melhor maneira de começar uma crônica, mas é o primeiro pensamento que dá na cabeça de muita gente ao acordar. Eu só quero morrer. Abandonar tudo. Fugir. Mas você não morre, não abandona coisa alguma - pouco importa o quanto te esteja machucando -, não tenta … Continue lendo Prometo falar sério mas em forma de piada e sem ligar pra muita coisa

A Nicarágua é um poema de Vinicius de Moraes – tão belo quanto triste

"Nas catacumbas pelas tardes, quando há menos trabalho pinto nas paredes das catacumbas a imagem dos Santos dos Santos que morreram matando a fome e pela manhã imito os Santos agora quero falar dos Santos." Filho de agricultor com professora, José Leonel Rugama nasceu em Vale de Matapalos, Estelí, na Nicarágua, em março de mil … Continue lendo A Nicarágua é um poema de Vinicius de Moraes – tão belo quanto triste

Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz

Quando abri a segunda garrafa de Velho Barreiro, ainda estava em casa, tomando no quintal, sentado numa cadeirinha de área azul. Já se iam umas duas da manhã, e eu nunca fui muito de beber sozinho, e cá entre nós não tenho vocação pra Chinaski, essa coisa de esperar o dia nascer pra sair pra … Continue lendo Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz

Marilyn Manson – histórias que levar ou não pro túmulo não faz a menor diferença

Já me disseram que tenho uma facilidade pra sumir, digamos, encantadora. Adoro ironia. Mas vamos lá, João Gilberto era encantador. Um velhinho de pijama exilado num apartamento tocando violão doze horas por dia. Dando a mínima pro singelo detalhe de ser a principal mente dum movimento que influenciou crianças como Chico e Gil, do qual … Continue lendo Marilyn Manson – histórias que levar ou não pro túmulo não faz a menor diferença

Tem mais samba nas mãos do que nos olhos

Jesus. Vem aqui, Jesus. Jesus o pai de Geisiele. Eu gritava. Acorda, Jesus. Vem aqui fora deixar eu namorar tua filha. Eu só quero uma. Jesus. De repente sai o vizinho com uma peixeira na mão. Continua gritando agora aí, ô filho da puta. Jesus não me salvou. Nem deixou eu namorar Geise. Tive de … Continue lendo Tem mais samba nas mãos do que nos olhos